Um pensamento, uma história, um conto, um dizer, um filme, enfim, qualquer produção humana pode ser interpretada de inúmeras formas, não só dependendo de pessoa para pessoa, mas de acordo com a época de vida, contexto ou idade ou mesmo das experiências adquiridas por tal indivíduo. Seria loucura não considerar que cada um de nós tem seus parâmetros de interpretação e entendimento de algo, sem contar os nossos julgamentos. Podemos olhar para uma paisagem e, descrevendo posteriormente para outras pessoas, fazê-las pensar que estivemos olhando lugares diferentes. Mantemos nosso foco e damos importância de acordo com nossa personalidade, nossa bagagem de vida e nossos valores. Até aí, tudo bem.
A questão é quando agregamos uma escala de "verdades" à nossa interpretação e saímos por aí em conflito, fazendo com que todos que tenham uma visão diferente da nossa sejam discriminados e julgados. Assim é o preconceito, pré- conceito, ou seja, antes mesmo de tentar aceitar e entender outros pontos de vista e maneiras de ser, nos fechamos na nossa zona de conforto e não abrimos espaço ao que não necessariamente é novo, mas sim estranho a nós. Mais fácil é conceituar, julgar e rotular. Cristalizamos assim nossa energia e não fluímos com a vida.
Esse filme que gostaria de recomendar, Himalaia (Himalaya - L´enfance d´un chef, 1999) é uma dessas histórias que podem ser intrerpretadas de várias formas. O subtítulo se refere à infância de um futuro líder. Mas a minha interpretação focou em outras questões e tem a ver com a introdução desse texto.
Fala sobre a história de uma tribo, que, morando em um dos lugares mais inóspitos do planeta, tem apenas o sal para comercializar. Para isso tem que fazer uma travessia, liderada pelo chefe da tribo. O filme começa com a morte desse líder e a desconfiança de seu pai sobre as reais causas e condição de sua morte. Desconfia do melhor amigo do filho, que por uma questão hierárquica, passa a ser o futuro líder. Bom, vale a pena ver o desenrolar da história e não gostaria de ter o mau gosto de contar o fim do filme, mas a lição que me marcou foi essa, a de que temos que abandonar nossos preconceitos, nossa visão pré concebida das pessoas e fatos e ampliarmos nossos horizontes e visão, para enxergar além do que estamos acostumados e que certamente nos levará a estágios mais avançados de felicidade e paz de espírito.
Ah, as imagens são deslumbrantes (não deixe de ver os extras, a equipe de filmagem também passou pelas mesmas dificuldades de se estar num lugar tão ermo), a trilha sonora é magnífica e tem uma frase que me marcou, não vou saber repetí-la textualmente pois já assisti a esse filme a algum tempo, mas foi dita pelo outro filho do ancião, um monge que se dedicava à arte da pintura no mosteiro e que foi também solicitado para fazer a tal travessia do sal. Ele disse assim, quando foi questionado por que estava no meio daquela empreitada: "meu mestre fala que ao aparecerem dois caminhos diferentes na nossa vida, para seguir pelo mais difícil".
Segue uma passagem da travessia, com a música que mais gostei:
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Renascimento
God does not send us despair in order to kill us;
he sends it in order to awaken us to new life.
Hermann Hesse
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Ame, portanto!
arte Eva Uviedo
Se você ama uma pessoa, aos poucos a forma dessa pessoa desaparece e você fica mais em contato com o interior dela. E se você for mais fundo, até mesmo o interior da pessoa amada some e abre-se o além.
Essa pessoa era apenas uma porta, e através dela você encontrou o Divino.
Quando a gente não consegue amar, precisa de provas e rituais. Mas o ser amado está sempre próximo, é só deixá-lo revelar-se.
Sempre nos parece difícil estar em contato permanente com o Universal, ele não tem começo nem fim, ele é imenso. Mas o caminho para chegar até Ele é sempre através de uma pessoa.
Ame, portanto.
E que o amor não seja uma competição, mas uma profunda aceitação do outro. Convide-o então, ao amor, para que penetre e mergulhe em você, sem qualquer condição.
Você vai ver: de repente o outro desaparecerá e Deus estará presente. Por que, se o amado não puder tornar-se Divino, então nada no mundo poderá tornar-se Divino e toda religião será absurda.
Isso pode acontecer em relação a uma criança e até a um cão, por exemplo. Se você estiver mergulhado num relacionamento profundo com alguém ou com alguma coisa, essa coisa se tornará Divina. A chave básica é deixar que o outro penetre no seu âmago. As pessoas se aborrecem umas com as outras e sempre ficam esperando algo de bom ou mau da outra pessoa.
Não espere nada de ninguém, tente apenas encontrar no outro aquilo que está oculto.
Allahur Akbar
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Às vezes é melhor...
Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizemos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito. Somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor...
E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se ouça o coração bater desordenadamente fora do peito é preciso domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade.
Margarida Rebelo Pinto
arte Eva Uviedo
~ obrigada a minha querida Ana Seixas (Aninha) por ter compartilhado
E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se ouça o coração bater desordenadamente fora do peito é preciso domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade.
Margarida Rebelo Pinto
arte Eva Uviedo
~ obrigada a minha querida Ana Seixas (Aninha) por ter compartilhado
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
O princípio do Zen
O momento presente
contém o passado e o futuro.
O segredo da transformação
está na forma em que lidamos com esse exato momento.
Thich Nhat Hanh
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