quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O ser liberto



Somente aquele que possui domínio sobre seu mundo interno de desejos pessoais e está focalizado em seu Eu supremo, esse é um liberto (yukta).

 Bhagavad Gita 6:18

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

"Mas sigo meu destino num yellow submarino"

Onde quer que eu vá
Levo em mim o meu passado
E um tanto quanto do meu fim
Todos os instantes que vivi
Estão aqui
Os que me lembro e os que esqueci
Carrego minha morte
E o que da sorte eu fiz
O corte e também a cicatriz

Mas sigo meu destino
num yellow submarino
Acendo a luz que me conduz
E os deuses me convidam
Para dançar no meio fio
Entre o que tenho e o que tenho que perder
Pois se sou só
É só flutuando no vazio
Vou dando voz ao ar que receber

Pra ficar comigo
Corro salto, me equilibro
Entre minha neta e minha vó
Fico feliz, sigo adiante ante o perigo
Vejo o que me aflige virar pó
As vezes acredito em mim
As vezes não acredito
Também não sei se devo duvidar
Mas sigo meu destino
num yellow submarino

Acendo a luz que me conduz
E os deuses me convidam
Para dançar no meio fio
Entre o que tenho e o que tenho que perder
Pois se sou só
É só flutuando no vazio
Vou dando voz ao ar que receber


Rita Lee, "Meio Fio"

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Ao praticar...



Pratiquem com o espírito de criança! Mais livres, com poucos julgamentos, observando tudo com encantamento.

Professor Hermógenes

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Desapego

Para ficar livre de situações indesejáveis e pensamentos negativos preciso desenvolver desapego. Desapego não é indiferença, apatia ou falta de energia. Desapego é um estado que vem da força e da paz interior. Posso ser amoroso, feliz, cooperativo e ainda ter desapego. O verdadeiro desapego interior é a habilidade de pensar com clareza e estar imune ao que as pessoas pensam e falam sobre mim. Desapego me capacita a ter mais controle sobre o humor e o estado da minha mente. Também me ajuda a ser mais eficiente no trabalho e diante das situações difíceis ou emergenciais. Para ser desapegado preciso conhecer meus pensamentos e seus resultados.

BK Satyanarayana, The Power of Detachment



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

"Pois só quem ama pode ter ouvido"


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
 
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora! "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las:
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".


Olavo Bilac

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Hoje São Paulo faz anos...

Difícil quando alguém nasce sentindo a brisa do mar e se acostuma a ver todo dia a linha do horizonte e entende que o mundo não tem fim, que é lá que os sonhos se projetam e depois de algum tempo, bem no comecinho da juventude, se muda para uma megalópole, sozinha, sem conhecer ninguém, sem ter mais referências. Difícil...

Depois de 30 anos, essa pessoa, aliás, eu mesma, já consigo ouvir a música "Sampa", do Caetano, sem chorar. Mas só até o verso "e foste um difícil começo, afasto o que não conheço, quem vem de outro sonho feliz de cidade, aprende depressa a chamar-te de realidade"...nessa hora, desabo mesmo.

O "outro sonho feliz de cidade" é a minha mãe, minha cidade natal, a que nasci porque assim foi. E a minha mãe adotiva é essa aqui, São Paulo, a que eu escolhi, a qual aprendi a entender e a amar, apesar de reconhecer suas fraquezas e defeitos. Mas quem ama, ama mesmo, aceita tudo. E até passa a admirar e a não conseguir viver sem ela.

São Paulo no começo foi dura, cobrava mesmo. Depois, passou a oferecer agrados, vantagens, recompensas. Mas daí, há pouco menos de um ano, foi cruel. Incluiu a mim e minha família nos seus piores índices, o da violência. Mas sei que não é culpa dela, é das autoridades que deveriam estar fazendo seu dever e estão falhando. A culpa é do sistema, o que uma cidade, seu espaço físico tem a ver com isso?

Então, no dia de seu aniversário, queria aproveitar a oportunidade para fazer as pazes com São Paulo. Esse é o meu lugar no mundo, e aqui, o horizonte não está num lugar tão óbvio entre a terra e o mar. É preciso saber olhar para descobrir, mas ele se apresenta de várias formas para as milhões de pessoas que vivem aqui.

Esse vídeo, do grupo Rumo é uma das minhas músicas favoritas sobre Sampa. E é bem da época que cheguei por aqui. Foi realizado pelo Olhar Eletrônico, na época uma iniciante produtora de vídeo de uns caras chamados Fernando Meirelles, Marcelo Tas, Marcelo Machado...alguém sabe de quem estou falando?


Parabéns São Paulo!





Ladeira da Memória
Rumo

Olha as pessoas descendo, descendo, descendo
Descendo a Ladeira da Memória
Até o Vale do Anhangabaú
Quanta gente!
Vagando pelas ruas sem profissão
Namorando as vitrines da cidade
Namorando, andando, andando, namorando
O céu ficou cinza e de repente trovejou
E a chuva vem caindo, caindo, caindo
Prendendo as pessoas nas portas, nos bares
Na beirada das calçadas
Quanta gente!
Com ar aborrecido olhando pro chão
Pro reflexo dos edifícios e dos carros
Nas poças d'água
E pros pingos, pingando, pingando, pingando
Olha as pessoas felizes, felizes, felizes
Felizes por que a chuva que caía agora pouco
Essa chuva que caia agora pouco já passou